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Animais Peçonhentos

 

Animais peçonhentos x animais venenosos

 

Os animais venenosos são animais que possuem veneno mas não possuem mecanismo de inoculação. Os animais peçonhentos são animais que além de venenosos, possuem um mecanismo especializado de inoculação, a peçanha, que é utilizada como arma de caça ou de defesa.

 

Exemplos de animais peçonhentos: serpentes (jararaca, cascavel, surucucu), escorpião, aranha.

 

Exemplos de animais venenosos: sapos, baiacu.

 

Os animais podem ser divididas em artrópodes e serpentes (ofídios).

 

 

ARTRÓPODES - ESCORPIÕES

 

v     Escorpião amarelo (Tityus serrulatus): podem ser encontrados desde a margem direita do rio São Francisco até a fronteira Paraná – Santa Catarina. É muito comum em Minas Gerais (especialmente em Belo Horizonte). No Estado de São Paulo, poderá ser encontrada na região do Vale do Paraíba, Rio Preto e vizinhanças e em focos isolados na Capital. É um escorpião que poderá ser encontrada facilmente em ambientes urbanos.

 

v     Escorpião marrom (Tityus bahiensis): é um escorpião muito comum, sendo encontrado nos mesmos locais do escorpião amarelo, além de ser encontrado também em algumas regiões de Mato Grosso e de Santa Catarina. É o mais comum em São Paulo. Pode ser encontrado nas regiões do Morumbi, Pacaembu e ao longo do Rio Pinheiros. É encontrado em campos e matas ralas, procurando refúgios em cupinzeiros, debaixo de pedras, fendas de barrancos, etc.

 

Hábitos: são animais que caçam a noite. Durante o dia, procuram esconderijos, como por exemplo tronco de árvores, frestas nas paredes, sapatos, toalhas, etc. Não são considerados animais violentos.

 

Sintomatologia (efeitos no homem)

 

O veneno dos escorpiões é neurotóxico, obedecendo aos seguintes critérios de gravidade: casos benignos (apenas dor moderada); casos médios (dor intensa no local e sudorese); casos graves (dor muito intensa, hipotermia, sudorese, aumento da pressão sangüínea, náuseas e vômitos).

 

ARTRÓPODES – ARANHAS

 

v     Aranha armadeira (Phoneutria sp.): as aranhas armadeiras possuem esse nome porque quando ameaçadas assumem uma postura ameaçadora, apoiando-se com as patas traseiras e mantendo as duas dianteiras levantadas, numa posição de bote. Pode ser encontrada em lugares escuros, cachos de bananas, sapatos, vegetação, etc. Pode ser reconhecida pela sua cor cinza ou castanho escuro, corpo e pernas com pêlos curtos, perto dos ferrões os pêlos são vermelhos e atingem até 17cm de comprimento quando adultas (incluindo as pernas).

 

v     Aranha marrom (Loxosceles sp.): atingem cerca de 3 a 4 cm, com cor amarelada. É uma aranha que vive em teias irregulares (parecidas com um lençol de algodão) construídas em tijolos, telhas, barrancos, cantos de parede, etc. Os acidentes são raros, porém geralmente são graves, com formação de ferida no local da picada e sensação de queimadura.

 

v     Aranha de grama (Lycosa sp.): possuem cor acizentada ou marrom, com pêlos vermelhos perto dos ferrões e uma mancha escura em forma de flecha sobre o corpo. Vive em gramados e residências. São freqüentes os acidentes mas não são graves.

 

v     Aranha caranguejeira (Trechona sp.): São aranhas grandes (podendo chegar a 9cm só de corpo). São vários os gêneros, porém o mais perigoso no Brasil é o do Trechona, que ocorre desde o norte até o sul do país. As aranhas desse gênero possuem um veneno neurotóxico, porém sem risco de morte para o acidentado, não necessitando a aplicação de soro.

 

v     Aranha viúva-negra (Latrodectus sp.): são aranhas pretas com manchas vermelhas no abdômem. As fêmeas têm de 2,5 a 3 cm e os machos podem ser de 3 a 4 vezes maior. Vivem em teias construídas em vegetações rasteiras, arbustos, barrancos, etc. Para as espécies brasileiras de viúva negra, não são produzidos soros pois os acidentes são raros e geralmente são de média ou pouca gravidade.

 

 

ARTRÓPODES - LACRAIAS

 

As lacraias podem ser encontradas em qualquer lugar. Possui ferrões na parte debaixo da cabeça, e não nos últimos segmentos (muitos acham que o ferrão está na parte de trás do corpo porque a lacraia levanta o mesmo quando ameaçada). Os acidentes são raros e geralmente de baixa gravidade, não sendo necessário a produção de soro.

 

ARTRÓPODES – PRIMEIROS SOCORROS

 

Geralmente os acidentes com aranhas, escorpiões ou lacraias são de baixa gravidade. Manobras como sucção do veneno ou espremer o local da picada não possui efeito algum. Geralmente picadas desses artrópodes provoca apenas dor local e intensa ou moderada. Em caso de acidentes com menores de 7 anos de idades ou pessoas debilitadas, o procedimento mais indicado é o socorro no Hospital Vital Brasil, do Instituto Butantan.

 

SERPENTES

 

 

 

As espécies de serpentes com maior índice de acidentes são: jararaca, cascavel, surucucu e coral. Geralmente possuem dentição do tipo solenóglifa, com exceção da coral, que possui a do tipo proteróglifa.

 

Tipos de dentição:

 

ü      Áglifa: dentes maciços. Não inoculam veneno. Exemplos: sucuri, jibóia, etc.

 

ü      Opstóglifa: possuem um ou mais pares de dentes posteriores (trás) do maxilar superior com sulcos por onde escorrem o veneno. Exemplo: falsa coral, muçurana, etc.

 

ü      Proteróglifa: possuem presas anteriores (frente) caniculares, por onde pode escorrer o veneno. Exemplo: coral verdadeira e serpentes marinhas.

 

ü      Solenóglifa: possuem grandes presas anteriores dotadas de canal central, por onde passa o veneno. Exemplo: cascavel, jararaca, surucucu, urutu, etc.

 

 

 

 

 

 

Tipos de serpentes mais conhecidas:

 

v     Cascavel (Crotalus sp.): As cascavéis são cobras facilmente reconhecíveis pela presença de chocalho na cauda. Pode ser encontrada em todo o Brasil, com exceção da floresta amazônica.

 

v     Jararaca (Bothrops sp.): pode alcançar mais de um metro de comprimento. Ocorre nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, leste do Mato Grosso, sul da Bahia e em algumas áreas de Minas Gerais.

 

v     Surucucu (Lachesis sp.): São as maiores serpentes peçonhentas das Américas, podendo alcançar mais de 4 metros. É comum em florestas litorâneas do Rio de Janeiro para o norte e por todo o vale amazônico.

 

v     Cobra Coral (Micrurus sp.): ocorre em todo o Brasil. A diferenciação com a falsa coral é muito difícil, portanto não é recomendável que pessoas sem conhecimentos específicos tentem diferenciá-las.

 

Em caso de picada de cobra:

 

Ø      Não tente retirar o veneno com o método de sucção ou espremer o local.

Ø      Não dê nada alcoólico, querosene, etc.

Ø      Não faça torniquete.

Ø      Se a picada for em algum membro, mantenha-o erguido.

Ø      Leve o acidentado imediatamente ao hospital, pois somente o soro pode curar.

Ø      Leve o animal causador do acidente, se possível.

 

Controle e prevenção

 

ARTRÓPODES

 

 

*      Manter limpos quintais, jardins e terrenos baldios, não acumulando entulho e lixo doméstico.

*       Aparar a grama e recolher as folhas caídas.

*       Vedar soleiras de portas com saquinhos de areia ou frisos de borracha. Colocar telas nas janelas, vedar ralos de pia, tanque e de chão.

*       Colocar o lixo em sacos plásticos, que devem ser mantidos fechados.

*       Examinar roupas, calçados e toalhas antes de usá-los.

*       Andar sempre calçado.

*       Usar luva de raspa de couro ao trabalhar com materiais de construção.

*       Inseticida NÃO resolve o problema.

 

 

 

SERPENTES

 

 

*      Andar sempre calçado (72% dos acidentes são no pé).

*       Não introduzir a mão em buracos no chão, como tocas de tatus, cupizeiros, etc.

*       Olhar com muita atenção o chão por onde caminha e locais onde deseja apanhar pequenos objetos ou animais.

*       Ter cuidados especiais com matagais, montes de folhas mais ou menos secas.

*       A presença de roedores pode indicar a presença de serpentes também, pois os roedores são alimento para as cobras.

*       Não tente diferenciar cobras venenosas das não venenosas. Algumas são difíceis de diferenciar.

*       Não manuseie serpentes vivas ou mortas. As venenosas podem causar acidentes mesmo mortas.

 

 

 

 

 

Bibliografia

GUIMARÃES, B. Serpentes, escorpiões e aranhas. São Paulo: ESPE.

* Série Didática. Instituto Butantan. São Paulo. 2004
* Saúde Total. <http://www.saudetotal.com> . 13 abr 2004
* Animais Peçonhentos. Centro de Informação Toxicológica. Porto Alegre.
2004

Grupo:

Anderson Kunihito
Carolina A. Takagaki
Gerson Y. Bando
Karen Y. Nakano
Marcelo M. T. Fujii
Roberto Narisawa
Thiago Itonaga

Profª. Nilce - Primeiros Socorros
Farmácia - 1º Semestre
Universidade de Mogi das Cruzes
2004

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